Quando
li informativos referentes à estréia de Simpatia, fiquei
interessada em prestigiar a montagem, pois acompanho a carreira de
Luciana Carnieli e Xuxa Lopes há anos. Xuxa Lopes fez espetáculos
como Mary Stuart, Vem Buscar-me que Ainda Sou Teu (direção
Gabriel Villela) e Repetition (texto e direção de Flávio
de Souza).
Luciana Carnieli
é cantora e fez no teatro excelentes trabalhos: Leonce e Lena,
Romance, As Favoritas do Rádio, Gota D`Água, Ópera
do Malandro e Somos Irmãs.
Simpatia é
um projeto resultante de um processo colaborativo em que a criação
partiu de dezenas de entrevistas e depoimentos, de pessoas ¨comuns¨e
de integrantes do elenco e da equipe.
No palco, vários
atores se alternam em personagens que mostram a garra do brasileiro
em driblar as dificuldades.
Não há
um texto linear. A mulher batalhadora e sonhadora é o tema
do espetáculo, que é dividido em quadros. Os homens
também fazem parte das histórias, mas o universo feminino
predomina.
A simpatia, que
faz parte do imaginário, principalmente das mulheres, como
forma de realizar desejos ou conquistar a atenção do
ser amado, permeia a maioria das cenas.
O cenário
é criativo e também o ponto alto da montagem. Diversos
painéis de madeira, com portas, transitam pelo palco formando
diversos ambientes. O figurino é correto e segue as características
dos personagens; vai do mais moderno ao clássico.
A trilha serve
de pano de fundo dos personagens e a luz ora é focalizada,
ora ilumina todo o palco.
O
elenco é homogêneo quanto à desenvoltura no palco
e expressividade. Todos
estão bem em cena. Entre os destaques estão Luciana
Carnieli (que dá um show de interpretação), Ana
Andreatta, Xuxa Lopes e Leandra Leal.
A diretora Renata
Melo é bailarina e colocou a dança em alguns momentos;
a movimentação dos atores sugere uma sutil coreografia
e a preocupação com o gestual é visível.
Algumas cenas
são inteligentes, outras não despertam muito interesse,
o que não prejudica a qualidade do espetáculo como um
todo.
Dois momentos
certamente chamam a atenção do público: a solitária
mulher na menopausa, vivida com competência por Xuxa Lopes (qual
mulher nunca se preocupou com isso?) e a menina prostituta que conseguiu
mudar a sua vida trabalhando como manicure.
O seu interesse
em transformar em peça teatral histórias do cotidiano
de pessoas - que podem ter uma história de vida muito parecida
com a nossa - rendeu trabalhos primorosos, como Domésticas
(transformado em longa-metragem por Fernando Meirelles e uma das melhores
produções do cinema nacional).
Vale a pena assistir!
¨Acho que os grandes temas, as coisas importantes da vida, elas
estão nessas coisas ordinárias...Tem uma sabedoria no
homem simples, no homem comum, uma poesia mesmo... E eu acho que esse
espetáculo tem muito isso. Nessas mulheres muito simples, tem
uma verdade sobre a vida, sobre a experiência, sobre o que é
essencial, que é dito de uma maneira tão simples, tão
banal e que é tão profundo¨.
Renata Melo
SIMPATIA - Serviço