Esta
comédia de Mel Brooks é antiga, de 1967, e foi feita para
o cinema com o nome de “Primavera para Hitler”, ganhando
até um Oscar por melhor roteiro original. Apesar do prêmio,
o filme foi um retumbante fracasso de bilheteria. No entanto, mais de
três décadas depois, em 2001, a história foi transformada
em um musical da Broadway de enorme sucesso, chamado agora de “Os
Produtores”. Ironicamente, este musical acabou voltando para as
telas em 2005, com os mesmos protagonistas da Broadway, Matthew Broderick
e Nathan Lane, desta vez com uma excelente bilheteria.
A
trama gira em torno da armação de um produtor fracassado,
Max Byalistock (Miguel Falabella), e de um contador frustrado, Leo Bloom
(Vladimir Brichta), que resolvem se juntar para ganhar uma fortuna.
A idéia é produzir um fracasso musical e com isso embolsar
o dinheiro dos investidores. Para isso, eles procuram a pior peça
já escrita, convidam o pior diretor para dirigi-la e fazem uma
audição para escolher os piores atores. Pronto! Está
armado o cenário para as hilariantes situações
da peça. Para ajudá-los nessa empreitada, surge uma dançarina
sueca gostosona, Ulla (Juliana Paes), que mal fala a língua deles
mas é contratada como secretária, afinal isso aqui é
uma comédia, né?
A
pior peça de todos os tempos escolhida para o golpe chama-se
Primavera para Hitler e foi escrita por Franz Liebkind (Edgar Bustamante),
um neonazista louco que a escreveu para provar que Hitler também
tinha um lado bom, sensível e artístico. O diretor convidado
para dirigir este fracasso é Roger De Bris (Sandro Christopher),
um gay afetado e deslumbrado que anda cercado por um assistente divertido,
Carmen Ghia (Maurício Xavier), além de um coreógrafo,
um maquiador e um figurinista mais afetados ainda. Tudo parecia perfeito
para o esperado fracasso, mas, ao final de tanto esforço, o musical
é aclamado um grande sucesso de público e crítica.
Vladimir
Brichta e Juliana Paes são as grandes surpresas deste musical.
Sim, eles cantam bem! Ele está muito divertido no papel de funcionário
público interiorano, tímido e frustrado, que nunca teve
uma namorada. E ela, com sua beleza e simpatia, ficou perfeita no papel
de loira sexy (Felizmente para o público, Danielle Winits não
pôde pegar o papel!). Quanto ao Caco Antibes, ops, Falabella,
ele é o personagem de si mesmo, cheio de cacos e piadas no estilo
“Sai de Baixo”, mas que nesta comédia funcionam perfeitamente.
Sua falta de voz para cantar não compromete, já que ele
tem poucas canções neste espetáculo. Sandro Christopher,
que é um cantor lírico e já mostrou seu talento
em outras oportunidades (“Ópera do Malandro”), está
ótimo. Gostaria de destacar ainda os talentos de Maurício
Xavier (“Rent”) e Edgar Bustamante (“Les Misérables”),
que dão um show de interpretação. Parabéns!
Como curiosidade, a equipe da versão nacional de “Os Produtores”
reúne 11 músicos, comandados pelo jovem maestro Felipe
Senna, 25 atores, dirigidos por Miguel Falabella, 11 cenários,
60 perucas e mais de 500 figurinos. E, ao contrário do que desejam
os produtores da história do musical, este certamente será
um grande sucesso. Assista!
Milton Ayres
E-mail: milton@del.art.br