Os Homens são de Marte
Por
Milton Ayres
Esta
situação hoje em dia é bem mais comum do que parece.
Uma mulher com mais de 30, bonita, educada, um bom emprego e... solteira!
O que na vida real seria um drama para muitas, na interpretação
de Mônica Martelli, em “Os homens são de Marte...
e é pra lá que eu vou”, ganha contornos de pura
comédia. Diversão garantida para homens e mulheres, algozes
e vítimas, na concepção da autora.
Quando
estreou há dois anos num pequeno teatro do Rio de Janeiro, Mônica,
que também é autora do texto e fez pequenas participações
em programas humorísticos sem nunca ter seu talento devidamente
reconhecido, não poderia imaginar o estrondoso sucesso que teria.
A temporada que começou com três apresentações
por semana numa sala de cento e pouco lugares, logo teve que duplicar
as sessões e se transferir para uma sala três vezes maior,
chegando agora a São Paulo para ocupar o teatro Procópio
Ferreira, com quase 700 lugares.
Outro
sinal deste enorme sucesso foi que Mônica recebeu uma indicação
ao Prêmio Shell de Melhor Atriz, em 2005, e ganhou o Prêmio
Qualidade Brasil, em 2006, na mesma categoria. O espetáculo recebeu
ainda prêmios nas categorias de Melhor Espetáculo Teatral
Comédia e de Melhor Direção (Victor Garcia Peralta).
Mas poderia ter ganho ainda um prêmio extra pelo figurino de Marcela
Virzi, que realizou o sonho de toda mulher: criou um pretinho básico
que se transforma em 5 ou 6 vestidos diferentes, dando agilidade ao
monólogo e evitando paradas para a troca de figurino. Sensacional!
Impossível
não comentar também o timing de comédia da atriz,
sua expressão corporal perfeita, sua versatilidade para interpretar
diversos personagens, sua presença de palco e o seu carisma.
O cenário de Clívia Cohen, a iluminação
de Paulo Roberto e a trilha sonora de Jerry Marques são ótimos,
mas apenas complementam o trabalho dela.
A
peça conta a história de Fernanda, uma jornalista solteira
que produz festas de casamento. O que ela não consegue realizar
para si, um casamento, o faz para os outros, gerando um grande conflito
interno e fazendo com que procure respostas numa terapia. E a terapia
acontece ali mesmo no palco, na frente de uma platéia conivente
que é constantemente instigada a refletir sobre o problema. Enquanto
Fernanda relata suas experiências malsucedidas com diversos tipos
de homens (o político, o playboy, o natureba e o gay), mais as
cobranças da sociedade e da família, os ouvintes vão
se identificando com algumas delas, o que provoca o riso e a catarse
coletivos. E depois de uma sucessão de erros repetidos, Fernanda
parece descobrir uma nova fórmula para a realização
de seu maior sonho. Portanto, se este também é o seu sonho,
vá correndo ao teatro conferir! Ou, então, garanta já
o seu lugar no próximo ônibus espacial com destino à
Marte.
Milton
Ayres
E-mail: milton@del.art.br