Em segunda temporada em São Paulo, A Serpente tem como protagonistas
as irmãs Débora e Cynthia Falabella.
A
Serpente foi o último texto teatral escrito por Nelson Rodrigues.
É curto, mas contém todo o sarcasmo presente nas obras
do artista.
A
decadência da classe média, com as suas loucuras, misturas
de amor e ódio, desejos, traições e frustrações
estão representadas na relação de inveja e amor
entre as irmãs Guida (Débora) e Lígia (Cynthia),
que se casam no mesmo dia e vivem na mesma casa, com os seus respectivos
maridos. Uma delas acaba se separando, pois não teve o casamento
consumado e recebe uma proposta irreverente da irmã: passar
uma noite de amor com o seu cunhado.
Um
ato impulsivo cujo objetivo era tentar diminuir a aflição
da irmã, acaba por colocar em xeque a harmonia entre as irmãs,
pois Guida desconfia que está sendo traída por lígia
e pelo marido. A convivência entre elas fica insuportável.
Como na maioria das peças de Nelson Rodrigues, a obsessão
pela morte permeia os diálogos.
As
interpretações de Débora e Cinthya são
focadas na personalidade dúbia das personagens, que ora demonstram
carinho uma pela outra e logo em seguida se revelam invejosas e perversas.
Cynthia
demonstra mais segurança em cena, talvez por estar mais envolvida
com o teatro do que a irmã. Vale ressaltar, no entanto, que
essas atrizes foram criadas em Belo Horizonte no meio de artistas
de teatro e conquistaram espaço na TV, em virtude do talento
e carisma que possuem.
Os
atores são menos convincentes do que as atrizes na peça.
Isso, no entanto, não diminui a intensidade dos momentos de
desavenças e enfrentamento físico entre os personagens.
Cyda
Morenyx, que faz uma pequena participação, é
despojada e tem a missão de evidenciar o caráter duvidoso
do ex-marido de Ligia , Décio.
O
cenário é constituído por painéis que
formam os quartos do apartamento em que residem as irmãs. Acentua
a falta de privacidade da moradia, pois as paredes são transparentes
e o som ecoa facilmente de um quarto para o outro.
As
vestimentas de Guida e Lígia são iguais, diferindo somente
na cor, evidenciando a relação doentia entre as duas.
A
trilha, criada por Morris Picciotto, contém sussurros e gemidos,
que pontuam as cenas.
O
desenho de luz privilegia a iluminação dos quartos.
A
encenação realça o humor presente nos diálogos
do texto e a platéia se diverte em diversas cenas. É
uma montagem leve mesmo com o final trágico de um dos personagens.
Yara
de Novaes é uma diretora competente, mas a movimentação
dos atores (o entra e sai dos quartos e do apartamento) com as batidas
nas portas cansam um pouco. O significado do uso de microfones, em
momentos importantes da história (narrações que
esclarecem detalhes do relacionamento entre os casais), não
ficou claro.
Nelson
Rodrigues é um dos dramaturgos brasileiros mais reverenciados
nas Artes Cênicas e as montagens de suas obras geram expectativa.
O
Caminho para Meca,com Cleyde Yáconis, Lucia Romano e Cacau
Amaral, tem direção de Yara Novaes e encanta pela qualidade
da encenação. A presença de Cleyde, que com 84
anos, demonstra uma energia impressionante, emociona. A atriz dá
um show em cena.
TUCA
Temporada: de 30 maio até 20 de julho de 2008
Duração: 60 minutos.
Classificação etária: 16 anos
Horários: sextas e sábados, às 21h; domingos,
às 19h
Ingressos: R$ 20,00 (meia entrada para estudantes, idosos e aposentados).
PUC-SP: R$ 10,00 (estudantes, professores e funcionários)
Televendas de Ingressos: (11) 3188.4156. Aceita todos os cartões
de crédito.
Estacionamento conveniado: Riti Estacionamentos - Rua Monte Alegre,
835 - R$10,00 - 11 3167-7111