Amada,
mais conhecida como mulher e também chamada de Maria
Um suspense é
provocado pelos lances de escada terra à dentro. E a cada corredor
virado, sem ver o próximo da fila e sem saber o rumo seguinte,
instiga mais ainda os olhares atentos para saber o quê lhes
aguardam. A orientação, fora a regra básica,
e respeito, para desligar qualquer aparelho sonoro, são para
que sigam os atores e permanecem de pé, até o momento
que possam sentar; e não mudar de lugar os banquinhos. (Mas
que banquinhos?) E dada tamanha situação inusitada,
alguns desacostumados, travam no meio do caminho, sem saber ao certo
como agir. Ainda há um tom de curiosidade naquilo tudo.
O teatro que se forma ao desenrolar das cenas é algo de improviso
meticulosamente programado. E faz jus à expressão "o
espetáculo é único". E isso não é
só a força da expressão, mas cada dia, cada banquinho
tem um dono diferente; a cada apresentação, uma pessoa
age, reage, pensa diferente da outra. E sem essa diferença,
sem esse processo colaborativo “pós concepção”
faria, sim, com que fosse igual. Por mais que o ator ali atuasse de
maneira diferente do dia anterior, esquecesse o momento certo da pausa
no texto, permaneceria extremamente igual sem as respostas daquela
platéia com a sua vontade de mais ineditismos teatrais ouriçada
a todo o momento.
"Podem sentar!"
E então, filhos e irmãos desconhecidos se encontram
ali. Irmãos da Pátria que os criou e que muitos não
prestam atenção. Enfim esta Pátria será
apresentada aos seus filhos, apresentada para todos os ângulos:
dos bancos, ao ponto mais alto da arquibancada. E se não bastasse,
trocados de lugar ao som "caliente" da música latina
numa bela dança descompassada.
A luta dessa mulher de ventres largos, parrideira com excelência,
é sofrida. A Maria é usada, são extraídos
de si seus valores únicos por culpa do interesse de outras
Pátrias não tão boas genitoras como esta. E a
história dela se repete em meio as suas filhas e filhos. Mas
que continuam na batalha por um copo d'água, mesmo só
conseguindo "coca".
Os elementos cenográficos, figurinos, iluminação,
e todo o aparato técnico não precisam ser descritos.
São só completos bem escolhidos para partilhar com seus
irmãos, a história dessa mão gentil que não
desiste de seus filhos e que ainda está sendo escrita por essa
“nação desfacelada” que não se deu
conta de que dividem o mesmo ventre da nossa Mulher.
*Fotos
do site do Centro Cultural São Paulo
Ficha
Técnica
Dramaturgia
Evill Rebouças
Atores
Compositores da Cena
Daniel Ortega/Edu Silva /Leonardo Mussi /Roberta Ninin /Solange Moreno
Figurinos
e Adereços Cênicos As Mariposas
Maria Zuquim e Juliana Napolitano
Criação
de Luz e de Equipamentos
Edu Silva
Montagem
de Luz
Edu Silva e Nilson Castor
Operador
de luz
Nilson Castor
Fotos
Alícia Peres
Estágio
em Direção
Queila Rodrigues
Consultoria
Artística
Marcio Aurelio
Encenação
Evill Rebouças
Produção
Executiva
Ila Girotto (São Jorge Produções Artísticas)
Realização
Cia. Artehúmus de Teatro
Ingressos
R$15,00 – inteira, R$ 7,50 meia (idosos e estudantes)
Duração
120 minutos
Lotação
80 lugares
Data e horário
Estréia: 19 de outubro, até 19 de dezembro
Sextas, 21h, Domingos, 20h
Local
Centro Cultural São Paulo - Espaço Cênico Ademar
Guerra
Rua Vergueiro, 1000 - Paraíso
Mais informações
Fone: 11 - 3383-3400